sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Das necessidades.

Não acredito em resoluções de ano novo. Não é porque tu arranca da parede o calendário de 2011 e coloca o de 2012 que você muda sua relação com seu peso, com suas atitudes, com seu fumo, enfim, com algum ponto da sua vida. Para que uma resolução funcione é necessário estar, de fato, comprometido com a causa, que algo comunique - alô Ciro, aquele abraço - com você e faça com que você se engaje. Faço, mesmo assim, todos os anos as minhas próprias resoluções - e falho miseravelmente.

Esse ano, porém, minha principal resolução bateu-me à mente relativamente antes do dia 31, e após muito pensar, digo-lhes: sábado fumei meu último cigarro.

Explico: a nicotina, para mim, tornou-se muito mais que apenas uma dependência química, algo que me faz tremer, suar e sentir-me enojado por não a utilizar. O cigarro, especialmente durante o colegial, virou uma espécie de muleta psicológica. Sempre que me deparo com um problema, afogo-o em nicotina esperando que ele - ou eu - desapareça. À porta dos meus 20 anos, porém, sinto que passou da hora de deixar de lado minhas doses diárias de amansa-leão-de-filtro-vermelho e passar a lidar frente a frente com meus problemas, minhas crises, minhas disputas internas, sem a invervenção dos alvos cilindros de nicotina.

Sei que será uma batalha dura: o bicho tem me acompanhado em quase todos meus momentos difíceis. Mas não mais me utilizarei dele como válvula de escape emocional. Mais que uma motivação de saúde, uma motivação social, ou a Rede Globo me dizendo que devo deixar de fumar, paro pois sinto que o cigarro, de certa forma, tem me impedido de amadurecer. Anos de fumo não deixaram que eu encarasse meus problemas como, de fato, um adulto, quando ainda os encaro como o adolescente revoltado que acendia um Lucky vermelho e tragava lentamente a fumaça, esperando que ela completasse meu pulmão, como se a vagarosa morte trazida por ele fosse a solução para todos os problemas do Mundo - ou ao menos um paliativo poderoso.

Pois é, passou da hora de crescer.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Do desconhecimento

A Avenida Paulista ficava para trás. Os pensamentos jorravam dentro de sua cabeça. Sentia como se o Mundo todo fosse apenas um momento, e que aquele momento não chegaria. Lembrou-se de Veríssimo: "Os pessimistas, meu caro, estão muito mais protegidos neste mundo que os otimistas", e concordou mentalmente.

De que adiantaria alimentar quaisquer esperanças? Seria pisado e chutado como um cão sarnento, não havia como fugir! Mas não conseguia tirá-la de seu pensamento. A eternidade em um sorriso, em um olhar. Ah, os olhos, que olhos! Mas não apenas isso. O jeito com que levava o cigarro à boca, como ajeitava discretamente o cabelo. Mas que diabos! Como uma mulher poderia fazê-lo ao mesmo tempo tão diferente e tão igual? Não fazia idéia e tampouco se importava com seu completo desconhecimento. Caminhava a seu lado e era o que importava. A única coisa que importava.

domingo, 17 de abril de 2011

Dos textos sobre futebol

Início de segundo tempo. Uma mão no rádio, segurando-o próximo ao ouvido, enquanto a outra treme. O time demonstra garra, mas não marca. O empate em São Caetano nos beneficiaria se ganhássemos o jogo e a torcida permanece na expectativa. O nervosismo é evidente desde os primeiros momentos em cada reação, em cada gesto, em cada som, em cada jogada perdida. O relógio corre. O tempo, impiedoso, não se importa com o sofrimento dos pouco menos de três mil lusitanos que assistem ao jogo Portuguesa e São Bernardo. O Santos, outro jogo que interessaria, já vencia por dois a zero, resultado contruído com pouco menos de 2 minutos de jogo. A nossa preocupação, agora, era o São Caetano. E mais do que o São Caetano, a própria capacidade da rubro-verde.

O rádio, cheio de chiados, anuncia que Éder abrira o placar no Anacleto Campanela. Linense 1 x 0 São Caetano. A torcida vai à loucura, mas a reação da equipe é contrária ao que se poderia esperar: o time se desestabiliza. Parece perceber que o resultado ainda não o classifica e perde-se completamente em campo no desespero da necessidade de uma vitória que não parecia construível. Não se armavam jogadas, chutava-se a esmo esperando que a redonda sobrasse para que alguém pudesse conclui-la a gol. Jorginho, o melhor técnico que passou pela Portuguesa nos últimos 5 anos - para não colocar uma data mais longa e talvez ser injusto com alguém que não me recordo -, ousou. Acertou, assim como poderia ter errado, mas ao menos teve uma atitude corajosa, o que não vi em nenhum dos que comandaram a Portuguesa nos últimos tempos.

O relógio corria e o nervosismo aumentava. Então o rádio, amigo inseparável das partidas no Canindé, anunciou que Éder, novamente, aumentara o placar para o Linense e que agora sequer precisaríamos da vitória: o empate já nos classificaria. Lusitanos, porém, gatos escaldados quanto as questões de sorte, comemoraram de forma sutil. Ainda precisávamos vencer. O jogo do ABC não havia terminado e há dois anos a classificação escapara exatamente por contarem demais com a ajuda alheia. O time, porém, tocava lentamente a bola, esperando pelo fim do jogo. O sentimento de impotência de um mero torcedor em um momento como estes é absurdo. Grita-se, esperneia-se, sente-se vontade de invadir o gramado. Não adianta. Não te ouvem. Não se pode fazer nada.

Então, na marca dos 45 do segundo do tempo, enquanto o rádio chiava e permanecia a expectativa do final de jogo em Sâo Caetano, um dos cruzamentos meio a esmo, como aqueles dados durante todo o jogo, chegou a Ronaldo, que, de cabeça, ajeitou a bola para Ananias dominar, escolher caprichosamente o canto, errar completamente o chute e ainda assim fazer a bola morrer no fundo das redes, para a alegria e festa dos torcedores da Portuguesa de Desportos que sofreram durante os 90 minutos e que vinham sofrendo durante todo o campeonato paulista.

O rádio de pilhas foi ao chão e quebrou-se em mil pedaços. Precisarei de outro, pois, para ouvir os comentários da Equipe Líder no próximo final de semana, contra o São Paulo, pelas quartas de final do Paulistão.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Dos ônibus.

Sento-me e espero. A rota diz que a viagem dura apenas uma hora. Ledo engano: a dita hora passara e mal havia chego à metade do caminho. Se existe um inferno, ele deve ser como São Paulo: quente, cheio de gente mal-educada e com um trânsito inimaginável a qualquer hora e a qualquer dia. Odeio essa cidade maldita. Odeio os ônibus, os governantes, as passagens abusivas, o metrô cheio, os babacas que não sabem respeitar os mais velhos, a distância da minha casa de qualquer coisa civilizada. Odeio coisas pra caralho as quais não posso fazer nada para mudar. Odeio coisas para caralho as quais eu poderia tirar o rabo da cadeira e resolver.

Mas olho pela janela e lembro-me que gosto de pizza, cerveja, das músicas que tocam altas nos fones de ouvido ligados ao meu mp4 velho e em vias de desmontar-se, dos filmes maravilhosos que diretores maravilhosos fazem e que têm trilhas sonoras maravilhosas, dos livros que leio e que dão algum sentido ao que não faz o menor sentido, do céu estrelado do interior, do som que faz um cigarro queimando, de silêncios noturnos, de olhar para o horizonte, de ir à praia durante a noite e ouvir as ondas quebrando, suaves. E dela.

E então eu volto a odiar tudo e todos.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Das decisões imbecis

Se existe uma coisa que qualquer imbecil sabe, é que funcionário precisa estar motivado pra trabalhar bem. O cara que não gosta do emprego, que tem suas desavenças com o chefe, que, por um motivo ou outro, não está confortável em trabalhar naquela empresa ou naquela colocação, rende menos do que os outros. Uma obviedade sem tamanho, creio eu.

Mas ao que parece a diretoria da Lusa não percebe isso muito bem. No final de janeiro os dois principais jogadores do elenco tentaram forçar a saída do time. E, para minha surpresa, o que fizeram os gênios administrador do futebol lusitano, sentados em suas mesas bonitas lá pelas bandas do Pari? Mantiveram Héverton jogando e estão agora reintegrando o Fabrício ao elenco.

É impossível, pois, não relembrar o maior presidente que a Portuguesa já teve, Osvaldo Teixeira Duarte, homem de um defeito apenas: ser eleito vereador pela ARENA. O homem, que era mais sacudo que Loco Abreu e Jean, ao tomar conhecimento de uma entrevista de Mirandinha - mas talvez não seja o Mirandinha, não achei registros online do caso pra poder confirmar e minha memória não é das mais confiáveis -, lá pelos idos da década de 80, em que ele disse que a Portuguesa seria apenas um trampolim levando-o a um time grande, OTD afastou o jogador recém-contratado e deixou-o na geladeira durante os anos de vigência de seu contrato. E aí é que está o ponto.

A Portuguesa não é e não era um time grande. Grande, grande mesmo, fora apenas nas décadas de 50, 60. Depois, não mais. Viveu como time grande apenas por memórias daquela época, já que de 70 pra cá chegou pouco e quando chegava era roubada e quando não era roubada tomava um gol do Airton aos 40 do segundo tempo. O século XXI chegou, os carros voadores não apareceram, a humanidade não se extingüiu pela guerra nuclear e vieram os rebaixamentos da rubro-verde. Viramos time pequeno. E que jogador, em sã consciência, quer jogar em time pequeno? Héverton e Fabrício, destaques da série B, não querem jogar para sempre em um clube com pouca ou nenhuma visibilidade, querem ir para um time médio ou grande, que possa disputar uma Sulamericana, uma Libertadores, que dê a oportunidade de uma negociação à Europa. Querem sair de um time sem profissionalismo, sem planejamento, sem seriedade. E não os culpo. Culpo, sim, os imbecis que ainda os deixam jogar.

Oras, eles NÃO QUEREM JOGAR! Se a intenção da Portuguesa é a de liberá-los apenas mediante o pagamentos das multas contratuais desproporcionais dos jogadores e nenhum clube ainda se mostrou interessado em pagá-las, afastem-os, deixem os rapazes na geladeira. Perde-se dinheiro, mas mostra-se que a Lusa não é a Casa da Mãe Joana, que jogador tem que cumprir contrato, tem que ter hombridade. Mas o caso Edno já mostrou o quão a diretoria da Portuguesa é bundona, o que dá margem a esses casos, o que vai dar margem a outros casos. Um círculo vicioso, que faz a Portuguesa perder, ou pela liberação ou pela claríssima falta de vontade com que eles jogam, jogadores importantes, já que, ou por ordem direta da diretoria ou por total falta de competência e visão do técnico, os jogadores NEM SUBSTITUÍDOS SÃO, mesmo jogando mal, perdendo propositadamente gols claros, errando passes de meio metro.

Enquanto não ocorrerem mudanças no tratamento dado pela diretoria aos jogadores, mesmo que isto signifique perda de dinheiro, o clube vai continuar na draga que está. Não vai subir, não vai voltar a ser o time que de vez em quando chega. Será apenas mais um dos times que é digno apenas de uma nota de rodapé nos joranis, que coloca menos de 1000 pessoas no estádio para sofrer em um jogo de Série B, pra xingar a diretoria, pra xingar técnico, pra xingar jogador, pra pedir raça. E é triste, acompanhando o histórico dessa diretoria reeleita, saber que isso não vai mudar assim tão cedo.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Diálogos

- É uma merda.
- Sempre foi.
- Era tudo tão mais fácil.
- Não, não era.
- Lisboa podia não ser tão bela, mas hoje me parece que era. É o suficiente.
- Talvez seja.
- Não é uma dúvida, é um fato.
- E contra fatos, usam-se tesouras.
- Você também sentia que a sua vida estava indo pelo caminho errado e que, por mais que você tentasse, ela não mudava?
- O tempo todo.
- E como você lidava com isso?
- Eu não lidava.
- E tu não enlouqueceu?
- Eu estou falando consigo mesmo como se você fossem dois. E escrevi uma frase praticamente incompreensível. Respondida a pergunta?

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Enfiar um compasso no cu ninguém quer

Como pode ser visto em quase todos os textos desse paquete em vias de afundar, sou um homem extremamente irascível. Ajo como um perfeito maluco quando tomado por um torrente de raiva, algo que não é assim tão raro, ainda mais quando sou obrigado a conviver com gente imbecil.

Isso pode, aliás, não ser algo óbvio aos leitores, mas certamente o é aos que me conhecem pessoalmente: tenho um ódio estratosférico por gente metida. Nêgo que faz questão de mostrar sua intelectualidade o tempo todo na tentativa - vã, digasse de passagem - de se mostrar, que sempre que pode dá aquela alfinetadinha, como se você, por não saber o nome daquele famosíssimo escritor de Burkina-Faso, fosse um animal do caralho, ou usa uma palavra rebuscada para que os outros pensem que ele, por saber usar meia dúzia de vocábulos incomuns, é grande merda.

Isso, como diria Alborghetti, me deixa puto da cara.

Talvez em pessoas normais isso não seja comum, mas eu, com todos os meus desvios mentais e emocionais, me incomodo profundamente só por compartilhar o ar com nêgo que eu desgosto. Faço de tudo para ignorar, e consigo, quando a pessoa sabe ficar na dela, mas o problema é quando o rapaz em questão resolve se sentar estupidamente próximo durante as aulas, e acha que sabe mais do que o professor, do que todos os historiadores, filósofos e intelectuais que já passaram pela face da terra.

Sabe, se tu sabe mais do que quem tá lá te ensinando - ou acha que sabe -, pra quê que tu tá na aula incomodando os outros com essa tua postura pedante imbecil? Vai pra casa, faz uma tese de doutorado, enrola ela e enfie onde mais lhe convier. Seu filho da puta.

Como diria meu pai:
"Ah, se não houvessem leis"